O preço não tem nada a ver com o custo do produto. Quem define o preço é o mercado”, disse um executivo da Mercedes-Benz, para explicar porque o brasileiro paga R$ 265.00,00 por uma ML 350, que nos Estados Unidos custa o equivalente a R$ 75 mil.

“Por que baixar o preço se o consumidor paga?”, explicou o executivo.

Participe no Protesto!

sexta-feira, 23 de dezembro de 2011

‘Oligopólio’ de montadoras no Brasil está sob pressão, diz banco

http://blogs.estadao.com.br/radar-economico/2011/09/29/oligopolio-de-montadoras-no-brasil-esta-sob-pressao-diz-banco/

“Os dias de lucros mais altos que o normal vindos [das montadoras] do Brasil parecem estar chegando ao fim. [...] As margens [de lucro] devem ficar sob pressão.”
A afirmação acima é de um relatório do banco americano Morgan Stanley sobre a indústria automobilística no Brasil.
A instituição financeira enviou um grupo de analistas ao País para tentar entender o que está acontecendo com o setor, depois que o governo decidiu aumentar em 30 pontos percentuais o IPI (Imposto sobre Produtos Industrializados) sobre veículos importados.
A análise toca no pouco comentado tema da margem de lucro das montadoras no Brasil e afirma, já no título, que o “oligopólio complacente” da indústria automobilística do País recebe sinais de que terá que acordar.
Os quatro maiores fabricantes de veículos no Brasil dominavam mais de 90% do mercado nacional até 1999, segundo dados do Morgan Stanley. Desde então, esse número foi caindo ano após ano, de modo que, em 2010, os mesmos fabricantes tinham pouco mais de 70% do mercado (veja gráfico mais abaixo).
Até agora, as quatro grandes vinham perdendo mercado principalmente para empresas francesas (PSA e Renault), japonesas (Toyota e Honda) e coreana (Hyundai). Mais recentemente, os carros chineses têm entrado com força no Brasil. O Morgan Stanley lembra que JAC (sigla que significa Companhia Automotiva de Xangai) não existia no Brasil no começo do ano, e hoje já vende 4 mil veículos por mês.
O relatório reforça a visão de alguns especialistas segundo os quais o mercado de automóveis do Brasil, depois de passar décadas dominado por quatro grandes fabricantes, pode estar em um ponto de inflexão devido ao aumento da concorrência.
Somado ao aumento da concorrência, existe também o aumento do preço da mão de obra. A alta do real nos últimos anos e os reajustes salariais fizeram o custo da mão de obra aumentar quando convertido para dólar. , o Brasil deixou de ser um produtor de baixo custo e passou a ser “de médio custo na melhor das hipóteses”, segundo o Morgan Stanley.
Preço
Segundo o Morgan Stanley, a General Motors acredita que as montadoras coreanas e chinesas não vão repassar inteiramente para o consumidor o aumento de 30 pontos do IPI. Ao contrário, a expectativa é de que elas assumam para si grande parte do custo gerado por esse imposto.
Os veículos no Brasil são bem mais caros do que em diversos outros países. A seção “Quanto custa“, deste Radar Econômico, mostrou que o preço do carro aqui não raro é o dobro de um equivalente nos Estados Unidos. Em outro texto, a mesma seção indicou que os automóveis importados da China são mais caros no Brasil do que em outros países latino-americanos, como o Chile.
Na série “Quanto custa”, o professor de economia Alcides Leite, da Trevisan Escola de Negócios, compara preços de produtos no Brasil e no exterior.
No Brasil, os impostos sobre veículos são mais altos do que na maior parte dos países ricos, segundo um levantamento da associação dos fabricantes nacionais (veja números na página 52 do Anuário da Indústria Automobilística Brasileira).
Mas isso não explica a grande diferença de preços. Mesmo quando se descontam os impostos que incidem sobre o preço do carro no Brasil, ele continua mais caro no Brasil do que no exterior. É o caso, por exemplo, do Ford Focus Sedan. Sem IPI, ICMS e PIS/Cofins, esse carro poderia custar R$ 39.554, no lugar dos atuais R$ 56.830. Mesmo assim, seria um preço mais alto do que o cobrado em Nova York, com impostos (R$ 30.743).
Mais concorrência
O gráfico abaixo faz parte do relatório do Morgan Stanley e mostra a participação que as quatro maiores montadoras instaladas no País têm no mercado, passando de mais de 90% para menos de 80% em dez anos.

Nenhum comentário:

Postar um comentário