O preço não tem nada a ver com o custo do produto. Quem define o preço é o mercado”, disse um executivo da Mercedes-Benz, para explicar porque o brasileiro paga R$ 265.00,00 por uma ML 350, que nos Estados Unidos custa o equivalente a R$ 75 mil.

“Por que baixar o preço se o consumidor paga?”, explicou o executivo.

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quinta-feira, 2 de fevereiro de 2012

Anfavea defende manutenção do acordo com México, apesar do prejuízo de US$ 1,5 bilhão

http://carros.uol.com.br/ultnot/2012/02/02/anfavea-defende-manutencao-do-acordo-com-mexico-apesar-do-prejuizo-de-us-15-bilhao.jhtm

Embora sejam vítimas diretas de uma possível mudança na regra atual da venda de carros no país, nenhuma das montadoras estabelecidas no Brasil e que também importam modelos do México quis se pronunciar individualmente sobre a informação, publicada pelo jornal "Valor Econômico", de que o Planalto estaria estudando o rompimento unilateral do acordo comercial com o país. A tarefa coube à Anfavea, entidade que reúne os fabricantes de carros instalados no Brasil, e que se posicionou como favorável à manutenção do acordo, mesmo que com adaptações.
Segundo a "Agência Brasil", o comércio de carros importados do México foi responsável pelo prejuízo de US$ 1,55 bilhão (cerca de R$ 2,8 bilhões) na balança comercial brasileira em 2011. Enquanto faturou US$ 512 milhões em exportação de carros para o México, o país gastou US$ 2,07 bilhões na compra (importação) de automóveis fabricados em unidades mexicanas (leia mais aqui).
Procuradas por UOL Carros, Chevrolet, Fiat, Ford e Volkswagen (as chamadas "quatro grandes"), Chrysler e Honda afirmaram que o assunto é de alçada "setorial" e, como tal, deveria ser discutido com e pela Anfavea.
A Nissan, por sua vez, fugiu um pouco do discurso ensaiado, afirmando que só irá se manifestar quando houver informações oficiais. "Não vamos comentar especulações", informou a assessoria de imprensa da marca, que pode ser apontada como principal prejudicada por uma futura (e ainda não confirmada) reviravolta do tratado com o México.
A montadora, que faz parte da aliança franco-nipônica Renault-Nissan, saltou da 12ª posição geral de vendas em 2011 (1,97% de participação) para a sexta colocação no primeiro balanço de 2012 (3,32%), divulgado na última quarta-feira (leia aqui), empurrada sobretudo pelas boas vendas da dupla March/Versa, importados do país norte-americano. Além dos dois modelos, que têm apelo mais popular, a marca também traz daquele país os médios Tiida (hatch e sedã) e Sentra.
Também chegam do México, sem pagar tarifa de importação, nem sobretaxa de 30 pontos percentuais no IPI, o utilitário Freemont e o compacto estiloso 500, da Fiat; o Captiva, da Chevrolet; o New Fiesta (hatch e sedã) e o médio-grande Fusion da Ford; o Jetta, da Volkswagen, terceiro sedã médio mais vendido do país em janeiro; o utilitário CR-V, da Honda, líder do segmento no primeiro mês do ano, deixando Ford EcoSport e Renault Duster para trás; e o SUV Dodge Journey, da Chrysler, co-irmão do Freemont.
Todos estes modelos somados foram responsáveis por pelo menos 112.024 unidades vendidas por importação no Brasil em 2011 -- o "pelo menos" diz respeito a um lapso de contabilidade do modelo New Fiesta pela Fenabrave, que contabiliza o sedã como um carro único, mas que não precisa a quantidade de unidades do hatch que chegam ao país.
  
Cada um deles teria sobretaxação no preço atual, perdendo totalmente a competitividade, caso a intenção de encerrar o acordo comercial de modo unilateral se confirmasse.
O México é o terceiro maior importador de carros para o país atualmente, tendo sido responsável pela entrada de US$ 2,07 bilhões (cerca de R$ 3,6 bilhões) em automóveis e autopeças no último ano, segundo a "Agência Brasil" -- ficou atrás da  Coreia do Sul (das marcas Hyundai, Kia e SsangYong) e da Argentina (do vizinho chegam modelos da Fiat, Volkswagen, Chevrolet, Ford, Renault, Peugeot, Citroën e Toyota).
 NA DEFESA
Escalada para falar em nome das montadoras, razão de sua existência, aliás, a Anfavea (Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores) se pronunciou há pouco. Em nota oficial, a entidade evitou polemizar o assunto, mas assumiu uma postura de defesa do acordo entre Brasil e México. A entidade diz considerar importante a "manutenção do Acordo de Comércio Automotivo Brasil-México", mesmo que isto demande um ajuste das atuais regras para o comércio entre os países. 
Com apenas cinco parágrafos curtos, a declaração divulgada pela diretoria de relações institucionais da Anfavea afirmou ainda que acordos como o firmado com o México são promotores de "estabilidade e de competitividade das relações" comerciais entre os países. A nota, porém, comete um equívoco ao citar o ano de 2000 como momento inicial do acordo -- o pacto entre Brasil e México foi firmado em junho de 2002.
De fato, o Acordo de Complementação Econômica assinado em 2002 prevê que o abatimento de tarifas de importação entre os países possa variar de 20% a 100%, podendo ser negociado a qualquer momento, desde que respeitado um prazo de 14 meses entre o anúncio e a entrada em vigor do novo regime.
- Leia abaixo a íntegra da nota da Anfavea:
ACORDO AUTOMOTIVO BRASIL-MÉXICO
São Paulo, 02/02/2012 - Com referência a notícias sobre o Acordo de Comércio Automotivo Brasil-México, a Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores emite o comunicado que segue:
“A ANFAVEA considera importante a manutenção do Acordo de Comércio Automotivo Brasil-México, celebrado em 2000, por sua relevância como fator de integração comercial e de fomento do comércio bilateral entre os dois países.
O comércio automotivo de veículos e peças Brasil-México, no valor de US$ 4,3 bilhões em 2011, representa 47% do fluxo comercial entre os dois países. Entre 2000 e 2011 as exportações brasileiras de veículos e peças para o México totalizaram US$ 21,2 bilhões e as importações totalizaram US$ 8,7 bilhões.
A ANFAVEA entende que acordos internacionais de comércio, a exemplo do Acordo Brasil-México, são dinâmicos e podem ser atualizados, ampliados e ou ajustados em sua abrangência e condições.
A ANFAVEA defende ainda a celebração de novos acordos internacionais de comércio e preferências tarifárias, como instrumento indutor e promotor do comércio exterior brasileiro e como fator de estabilidade e de competitividade das relações de trocas”.

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