O preço não tem nada a ver com o custo do produto. Quem define o preço é o mercado”, disse um executivo da Mercedes-Benz, para explicar porque o brasileiro paga R$ 265.00,00 por uma ML 350, que nos Estados Unidos custa o equivalente a R$ 75 mil.

“Por que baixar o preço se o consumidor paga?”, explicou o executivo.

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terça-feira, 14 de fevereiro de 2012

Comprou um Uno, mas pagou o valor de um Tucson? Veja quanto custa parcelar

http://economia.ig.com.br/financas/meubolso/pagou-uma-tucson-mas-levou-um-uno-veja-quanto-custa-parcelar/n1597624327061.html

Confira no infográfico como os juros encarecem as compras parceladas e os financiamentos e veja dicas de especialistas para não perder dinheiro e comente

Imagine trabalhar durante toda a semana, durante cinco anos, para fazer caber no orçamento a parcela de um carro novo, como um Hyundai Tucson, por exemplo. Apesar de ser um período de tempo longo, o esforço pode valer a pena se o consumidor precisar muito do veículo e não puder pagar à vista. Agora imagine a mesma situação, mas em vez de sair da concessionária com o SUV - depois de pagar R$ 65 mil - levar um Fox, um Fiat Uno ou um Peugeot 207. Essa situação pode parecer esquisita, mas ilustra bem o efeito dos juros pagos pelo consumidor ao financiar um carro em 60 meses, o que é comum no País.


Um veículo que custaria R$ 40 mil, como é o caso do Fox, do Uno e do Peugeot, acaba saindo por R$ 63 mil quando o consumidor financia em 60 vezes, considerando os juros médios do financiamento de veículos no Brasil, de cerca de 2% ao mês. “Se o comprador esperasse um pouco e aplicasse mensalmente o valor das parcelas, poderia comprar o carro à vista pelo valor original,” diz Wilson Muller, consultor financeiro da Fundação Cesp. A economia seria de aproximadamente R$ 23 mil.
Fora o emblemático caso dos carros, os juros também pesam bastante na compra de eletrodomésticos, diz Muller. “Ainda que as lojas anunciem um juro mensal de 0,99%, quando fazemos as contas na calculadora percebemos que muitas vezes o valor é bastante superior a isso,” afirma.

 

Com a ajuda de Muller, o iG compara no infográfico acima os preços de televisores, geladeiras e tablets para mostrar o quanto custa ao consumidor pagar produtos parcelados, em vez de à vista. Nos três casos, o preço pago ao final dos 24 meses de parcelas terá sido 28% superior ao valor que o lojista cobra à vista.
Se esperasse um ano e meio, o consumidor poderia pagar menos pelo mesmo produto ou teria a possibilidade de comprar um item superior e mais completo. Além disso, ao final do período de parcelamento, 21% do dinheiro gasto terá sido destinado apenas aos juros. No caso do carro, que é um bem mais caro e o cálculo foi feito para um parcelamento em 60 vezes, o valor pago em juros é 42% do total.

Esses números são consequência dos altos juros do País, que além de corresponderem ao alto risco do crédito, também estão relacionados com a disposição dos brasileiros em pagar mais caro para ter os produtos antes, diz Jurandir Macedo, consultor financeiro do Instituto Educação Financeira. “O número de pessoas que aceita pagar 13% ao mês de juros de um cartão de crédito, por exemplo, é assustador,” diz. Se fossem menos imediatistas, os consumidores se endividariam menos e conseguiriam até poupar, completa.
Ainda que financeiramente não seja bom comparar preços à vista e à prazo, uma vez que existe também o peso da inflação do período das parcelas, didaticamente os exemplos são ótimos para que os consumidores pensem bem antes de assumir dívidas longas, diz Muller.
Paciência
A sugestão do especialista é para o consumidor tentar não financiar. “Ao fechar um financiamento, ele pagará o custo do capital, então sempre vai gastar muito mais apenas por não conseguir suportar a vontade de ter o bem agora. O ideal é ter paciência e postergar o consumo,” diz. “No caso do carro, em apenas 28 meses o comprador conseguiria os R$ 40 mil pra pagar à vista investindo o valor das parcelas a uma taxa líquida [descontado o imposto de renda] de 8%,” diz.
Se não for possível esperar, ou ficar sem financiar, a sugestão para a compra de eletrodomésticos é comparar preços em diversas lojas para encontrar os valores mais baixos, principalmente quando o estabelecimento não dá desconto à vista. “Com a internet, o comprador pode usar sites que comparam lojas,” diz Muller. No caso do carro, o consumidor deve tentar dar o maior valor possível de entrada, para que o saldo a parcelar fique menor, o que reduz o custo total.
O especialista também sugere que o comprador desconfie das promoções dos lojistas e não se iluda com números estampados em cartazes de promoções. Ainda que as lojas anunciem juros de 1,99%, o Banco Central mostra que a taxa de crédito pessoal no Brasil para itens de consumo é de 3,56%, em média, diz ele. “Provavelmente o 1,99% é uma taxa que incide sobre a taxa de juros. Por trás dela já está embutida uma outra taxa,” diz.

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