O preço não tem nada a ver com o custo do produto. Quem define o preço é o mercado”, disse um executivo da Mercedes-Benz, para explicar porque o brasileiro paga R$ 265.00,00 por uma ML 350, que nos Estados Unidos custa o equivalente a R$ 75 mil.

“Por que baixar o preço se o consumidor paga?”, explicou o executivo.

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quinta-feira, 2 de fevereiro de 2012

IPI: Quem remete lucros não precisa de proteção

http://carsale.uol.com.br/blog/blog.asp?blog_id=128

O MILAGRE BRASILEIRO

Por Nivaldo Nottoli

A indústria automotiva no Brasil foi o setor que mais remeteu dinheiro ao exterior no ano passado. Os números são de deixar qualquer mortal de boca aberta: as remessas de lucros e dividendos chegaram a US$ 5,58 bilhões, o maior valor de todos os tempos - 36% superior que US$ 4,1 bilhões de 2010.

Uma das conclusões do jornalista Pedro Kutney, colunista do Carsale e editor do Automotive Business, em seu brilhante artigo sobre remessa de lucros das montadoras, é de que “temos no Brasil um caso inusitado, digno de estudos acadêmicos ainda a serem feitos: fabricantes de veículos dizem enfrentar aqui custos altos de toda natureza, fazem produtos considerados de baixa rentabilidade, com alta incidência de impostos, a produção não avança - e, ainda assim, remetem lucros bilionários às matrizes”.

É lógico que diante dessa galinha de ovos de ouro as montadoras não querem perder nenhum centímetro do galinheiro. E lutam com toda força e poder para garantir que o Governo de Brasília continue esticando sobre elas o manto da proteção.

E assim, acaba de ser anunciado, que o “Brasil Maior” desonera o IPI de 18 montadoras que produzem 65% das peças de seus carros no Brasil, no Mercosul ou no México (país com o qual temos acordo bilateral). São elas: Agrale, Caoa (Hyundai), Fiat, Ford, GM, Honda, Iveco, MAN, Mercedes-Benz do Brasil (caminhões), MMC Automotores (Mitsubishi), Nissan, Peugeot, Renault, Scania, Toyota, Volkswagen, Volvo (caminhões) e International Indústria Automotiva da América do Sul.

Para outras 28 marcas que estão fora dos requisitos exigidos, o imposto vai variar de 37% a 55% - o IPI maior atinge principalmente sul-coreanas e chinesas.

Para se refletir:

1 - Quem precisa de proteção governamental não envia lucros exorbitantes às suas matrizes.

2 - Em termos de volume, Argentina e México são os principais fornecedores de carros importados para o Brasil.

3 - Os carros importados da Ásia - por causa de seus preços menores - deveriam ser um forte balizador de mercado, proporcionando que mais brasileiros tivessem acesso ao carro zero quilômetro.

4 - A concorrência dos asiáticos forçaria a indústria automotiva no Brasil a rever seus preços - e principalmente seus lucros – e evoluir.

5 - O crescimento das vendas dos asiáticos faria com que as montadoras “brigassem” para que governo reduzisse a carga tributária que incide sobre o carro brasileiro.

Bem, eu não tenho nada contra o lucro. Mas não aceito qualquer tipo de protecionismo...

Nivaldo Nottoli

Diretor da Agência Fatto e editor da revista Multticlique

www.multticlique.com.br

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