O preço não tem nada a ver com o custo do produto. Quem define o preço é o mercado”, disse um executivo da Mercedes-Benz, para explicar porque o brasileiro paga R$ 265.00,00 por uma ML 350, que nos Estados Unidos custa o equivalente a R$ 75 mil.

“Por que baixar o preço se o consumidor paga?”, explicou o executivo.

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sábado, 10 de novembro de 2012

Uma análise profunda do setor automotivo e seus preços

 http://www.noticiasautomotivas.com.br/uma-analise-profunda-do-setor-automotivo-e-seus-precos/

Estrutura de Mercado Oligopolizada + Protecionismo + Comportamento do Consumidor = Preço Elevado
Tendo resolvido trocar meu carro, passei a acompanhar mais de perto as notícias do setor automotivo. Pesquisei, então, sobre qual modelo seria o seu substituto, deparando-me com preços muito elevados e, em minha opinião, fora da realidade brasileira; ainda mais quando comparados com os praticados no exterior.
Naquele momento, comecei a buscar informações e justificativas para o elevado valor dos carros no Brasil. Encontrei sites, blogs e reportagens criticando de forma enfática o tal do “lucro Brasil” e a exploração que o pobre coitado do brasileiro sofre da indústria automotiva e do seu maior sócio, o Governo Federal.
No entanto, não obtive sucesso na busca pelas informações que indicassem o motivo dos altos preços dos carros no Brasil. Isso me motivou a fazer um estudo do setor automotivo e a tentar de alguma forma apresentar aos leitores do site Notícias Automotivas alguns fatos que podem esclarecer o motivo pelo qual os preços praticados aqui são tão elevados.
Passo a discutir, portanto, a estrutura e o grau de concentração do mercado automotivo, bem como as barreiras à entrada de concorrentes, os comportamentos das firmas e dos consumidores, assim como o protecionismo praticado pelo governo.

Estrutura de mercado

O produto de interesse de nossa reflexão é o carro. Por isso, vamos fazer um exercício de abstração e tratá-lo como um produto homogêneo produzido, montado ou importado pelas indústrias que compõem o setor automotivo. Essas indústrias se apresentam em um número relativamente pequeno. Tanto é que uma das principais queixas que percebo nos fóruns é a baixa concorrência. Por esse motivo, vamos classificar a estrutura de mercado do setor automotivo como oligopólio.

Mas, afinal de contas, o que é oligopólio?

Oligopólio é uma estrutura de mercado na qual poucas firmas ofertam produtos que podem ou não ser diferenciados. Considerando o carro um produto homogêneo, percebemos que o mercado consumidor de carros é muito grande em relação ao número de firmas (muito pequeno) que o ofertam, ou seja, poucas empresas são responsáveis por abastecer o mercado.

Como aumentar o número de empresas ofertantes de automóveis e, com isso, aumentar a concorrência do setor automotivo?

No caso da indústria automotiva, essa não é uma questão simples, pois envolve diversas barreiras à entrada como, por exemplo: patentes tecnológicas necessárias à produção; escassez de mão-de-obra qualificada; negociações sindicais; altos investimentos na produção; longo tempo para a instalação da planta produtiva; licenças governamentais; altos custos com marketing; elevada carga tributária, longo tempo de maturação do negócio…

Mas, ainda que existam poucas firmas, elas não deveriam concorrer entre si?

Em um primeiro momento, eu até poderia dizer que sim, mas a resposta para essa pergunta é depende. Refletindo sobre isso, percebe-se que existe uma limitação da capacidade produtiva individual, ou seja, essa é muito menor do que a capacidade que o mercado tem de absorver a produção. Em outras palavras: a demanda total do mercado é muito maior que a capacidade de produção das firmas instaladas. Por isso, ela não venderá mais se concorrer por preços, pois a sua capacidade produtiva já está dimensionada para o nível de oferta que ela deseja.
É certo que atualmente a demanda é maior que a oferta; existem muitos modelos com prazo de entrega superior a 60 dias. No entanto, ofertar mais significa aumentar o investimento, contratar mais funcionários e aumentar os custos de produção, o que pode não ser interessante para as firmas.
Caro leitor, por acaso você já teve a sensação de que os carros de uma categoria possuem, na maior parte das vezes, o mesmo conjunto de equipamentos, especificações semelhantes e preços muito próximos, independentemente da marca? Na busca pelo meu carro novo, eu sempre tinha essa sensação e acabei chegando à conclusão de que não se trata apenas de uma sensação: isso realmente ocorre!
Então, o que observamos é que as firmas do setor automotivo cooperam entre si de forma a maximizar os seus lucros. Elas possuem um comportamento parecido com um cartel, atuam de forma coordenada precificando seus produtos em valores muito acima do que seriam caso não houvesse cooperação.
Note que não estou afirmando que existe de fato um cartel formado pelas montadoras. Não acredito que isso ocorra. Na verdade, o que percebo é que existe uma cooperação entre as indústrias do setor, feita através de sinalizações sutis, como, por exemplo, propagandas com preços e condições de pagamentos feitas por uma empresa e seguidas pelas demais.
Geralmente, reajustes nos preços para mais ou para menos são realizados na mesma época pela maioria das empresas do setor, ou, pelo menos, pelas mais representativas.
Enquanto o mercado está aquecido e possui uma forte demanda, esse tipo de comportamento pode ser observado. No entanto, a cooperação entre as firmas termina nos momentos de crises, quando elas se tornam rivais na busca por clientes.

Afinal de contas, já que existem poucas empresas, qual é o grau de concentração do mercado de automóveis?

O mercado é muito concentrado. A seguir, listei a participação de mercado das 20 maiores marcas de veículos por emplacamentos de carros em 2012 (até setembro).


Fonte: FENABRAVE
Comparando as 5 maiores empresas e agrupando as outras 15 menores na marca Outras, podemos resumir a tabela acima da seguinte forma:

Fonte: FENABRAVE e autor
Ou seja, as cinco maiores empresas possuem mais de 81% de participação no mercado, enquanto as outras 15 empresas ficam com pouco mais de 18% do mercado.
Percebe-se claramente que o mercado é muito concentrado, pois 25% das empresas dominam uma fatia de mais de 81% do mercado, e, quanto mais concentrado for o mercado, maior é a possibilidade de coordenação e cooperação entre as firmas, sendo, desta forma, maior a margem de lucro das empresas!

Então, quer dizer que o preço dos automóveis é alto porque o mercado é concentrado?

Bem, podemos dizer que esse é um dos principais motivos, mas, além desses motivos, podemos citar outros como: o comportamento irracional do consumidor que possui grande sensibilidade à propaganda, os financiamentos a perder de vista, a sensação de status de ter sempre um carro novo na garagem, o péssimo transporte público.
Vamos analisar esses fatos:
Comportamento irracional do consumidor: Vocês já perceberam a grande quantidade de carros do tipo 4×4 que circulam nas grandes cidades? São muitos! A explicação para isso é simples: Se o tipo de carro da moda é pick-up, um grupo de consumidores estará disposto a fazer de tudo para comprar uma, mesmo que não tenha necessidade de rodar em estradas de barro, não precise carregar nada na caçamba e o principal uso do veículo seja para passear na cidade, ir ao trabalho e levar as crianças ao colégio. Isso pode ser considerado uma compra irracional.
Financiamentos: Devido à baixa qualidade do ensino de base, o brasileiro é, por natureza, ignorante do ponto de vista financeiro. Não sabe fazer contas e, tampouco, fazer o dinheiro trabalhar a seu favor. O consumidor que quer comprar um carro vai comprar tendo ou não o dinheiro, pois verá que, por exemplo, a entrada de R$ 10.000 + 60 parcelas de apenas R$ 499,00, que pagará por um carro popular básico, caberá no seu orçamento. Note que, a uma taxa de juros de 0,5% ao mês (aproximadamente o valor remunerado pela poupança), essas parcelas mais a entrada geram um montante aproximado de R$ 48.300 após 60 meses; muito caro para um carro popular que, ao final do pagamento, já estará bem depreciado.
Status: carro não deveria ser sinônimo de status. carros foram feitos para servir de meio de transporte. Competir com vizinhos ou com parentes trocando de carro todos os anos ou comprando carros cada vez mais caros e desnecessários não pode ser considerado status. Podemos é considerar que a pessoa que age dessa forma não tem capacidade para dimensionar as suas reais necessidades.
Péssimo transporte público: O brasileiro pensa no sofrimento que é encarar 3 horas por dia em pé dentro do ônibus, trem ou metrô lotados. O transporte público no Brasil é caro e de péssima qualidade. Por esses motivos, muitas pessoas preferem passar as mesmas 3 horas diárias do trajeto casa-trabalho-casa no conforto do seu carro.

Quer dizer que uma vez que o mercado automotivo é uma estrutura oligopolizada, existem barreiras à entrada, o mercado é concentrado, a economia está indo muito bem, o crédito é farto, e os consumidores são irracionais, então as chances de os preços dos veículos baixarem é nula?

Podemos dizer que sim. No atual momento, quando o governo age de forma protecionista, é utopia pensar que os preços podem baixar.
Ainda assim, uma solução para a redução dos preços seria a maior abertura do mercado (sem aumento de impostos para os importados e sem redução para os nacionais, é claro!) de forma incentivar a entrada de outras firmas do setor, elevando a oferta de carros importados e reduzindo a concentração do setor automotivo.
É certo que os consumidores possuem grandes poderes, mas eles são desorganizados. Não conseguem se unir e, ainda que conseguissem uma união de forma a adiarem a compra de carros novos, esse ato teria que ser muito bem orquestrado para ser suficiente para forçar a redução da margem de lucro das montadoras, pois, como elas possuem grandes poderes políticos, ter o pátio lotado causaria idas ao governo para que ele reduzisse sua margem de lucro (impostos), ou para que ele criasse regras mais favoráveis aos financiamentos, ou, ainda, a indústria poderia preferir manter os estoques e dar férias coletivas e demitir funcionários a baixar preços.

Agora pergunto a você, supondo que você é o capitalista sócio investidor da “indústria automotiva”: Você aceitaria ter uma margem de lucro menor quando pode manter essas margens mais elevadas?

Eu, não. Prefiro o maior lucro possível!
Por Rafael Guimarães
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Mercado automotivo enfrenta realidade sem imposto a partir de fevereiro de 2013

http://www1.folha.uol.com.br/mercado/1179930-mercado-automotivo-enfrenta-realidade-sem-imposto-a-partir-de-fevereiro-de-2013.shtml

Com o anúncio da Presidência da República da prorrogação do incentivo do IPI até 31 de dezembro, decretamos o comportamento do setor de automóveis e comerciais leves até o fim do ano.
Mesmo num ritmo menos intenso -como o que ocorreu com as correrias para compras que vinham acontecendo em véspera de decisão sobre o futuro do IPI-, teremos um forte movimento de antecipação de compra. Dezembro será intenso nas vendas, mesmo com as limitações de menos dias úteis.
O mês de setembro na comparação com agosto foi menos positivo, pois apresentou recorde de vendas em razão da previsão de que o IPI chegaria ao fim.
A verdade está mais uma vez comprovada: toda vez que diminuímos impostos para patamares compatíveis, o consumidor responde de forma positiva.
Pela representatividade do segmento automotivo, a economia ganha fôlego e fica mais fácil atravessar a crise mundial.
Esse cenário garantirá um crescimento significativo do mercado de automóveis e comerciais leves no ano de 2012, principalmente diante das previsões que foram feitas no primeiro trimestre deste ano.
O mercado de automóveis e comerciais leves cresceu 5,54% no acumulado de 2012 (janeiro a setembro), segundo dados da Fenabrave. Esse número será ainda maior quando o ano se encerrar.
A informação do IBGE é de queda de 15,4% na produção de veículos automotores nos primeiros nove meses, mas esses dados incluem outros segmentos além dos automóveis e comerciais leves.
O grande desafio está em 2013, principalmente em fevereiro e março. Janeiro ainda viverá dos estoques recebidos em dezembro.
Se analisarmos, por outro lado, o ano de 2013 como um todo, observamos que os analistas do segmento variam suas previsões de um crescimento de 0,5% a 2%. Mas, de acordo com as previsões, o mercado continuará crescendo, mesmo que pouco.
Em resumo, precisamos economizar energia e caixa agora. Depois, o tempo se encarregará de ajustar os volumes ao longo de 2013, garantindo um ano ainda positivo.

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